A Lei Felca foi sancionada nesta semana, cercada de aplausos e boas intenções. O problema começa quando a “proteção das crianças”, por meio da Lei Felca, vira desculpa para censura, mais controle estatal e obrigações impossíveis de cumprir na prática. É exatamente o que está acontecendo e é exatamente por isso que, tanto no Senado quanto na Câmara, os congressistas do NOVO votaram contra a Lei Felca.
Aliás, também fomos o único partido a orientar contra o projeto no Congresso, como muitas vezes acontece.
Há usuários brasileiros de Linux, por exemplo, que não estão conseguindo utilizar o sistema operacional no Brasil. Isso é apenas um dos prejuízos que já estão acontecendo ou que devem acontecer por conta da aprovação do PL 2628/2022, conhecido como Lei Felca.
Uma frase clássica do economista Milton Friedman ilustra o cenário em que vivemos: “Uma grande falácia é julgar políticas por suas intenções, em vez de seus resultados”.
Ou seja, pouco importa o discurso de “proteção” pregado pelos políticos que defendem essa lei. Muito mais relevante é o efeito real dela, que deve resultar em censura, muito mais do que na resolução da exposição e exploração de menores.
A solução desse problema real deveria passar por medidas que preservem a liberdade do brasileiro honesto. Basicamente, isso exigiria a aplicação eficaz dos tipos criminais para ilícitos online (o que já existe), a punição dos criminosos e um melhor controle parental.
Acompanhe a matéria completa que preparamos para entender o que muda com a Lei Felca, suas ameaças de censura e prejuízo à inovação e, por fim, como o NOVO defende solucionar a questão!
— Observação: Felca não pediu a nova lei
— Lei Felca: censura e outras ameaças
— O NOVO é a favor de responsabilidade parental e punição a criminosos
Um detalhe que muitos preferem ignorar, talvez porque atrapalhe a narrativa, é que o influenciador Felca não pediu a criação de uma nova lei.
O que ele fez foi expor um problema real e grave: a exploração de crianças e adolescentes nas redes. Algo que, aliás, já é crime e já deveria ser combatido com as leis existentes.
Mas, em Brasília, como de costume, as crises viram oportunidade para políticos inúteis do centrão e da esquerda justificarem seus mandatos de areia.
Curioso como funciona: um problema específico vira justificativa para mais leis, uma comoção legítima vira combustível político e, no fim, surge uma lei ampla, vaga e cheia de brechas.
A nova legislação, baseada no chamado ECA Digital, cria uma série de obrigações para plataformas, aplicativos e até sistemas operacionais. Veja os principais pontos:
— Verificação obrigatória de idade: deve ser o fim da autodeclaração, com plataformas adotando mecanismos “confiáveis” (leia-se: coleta de dados) para comprovar a idade dos usuários;
— Contas vinculadas a responsáveis: menores de 16 anos precisam estar conectados a um responsável legal, mas ninguém sabe exatamente como isso vai funcionar;
— Proibição de coleta de dados para publicidade infantil: empresas não poderão usar dados de crianças e adolescentes para fins comerciais;
— Obrigação de remoção de conteúdos: plataformas devem remover conteúdos considerados violadores mesmo sem denúncia prévia;
— Regulação por “acesso provável”: não importa se seu serviço é voltado para adultos. Se houver qualquer chance de acesso por menores, a lei se aplica;
— Relatórios obrigatórios: empresas com grande base jovem terão que produzir relatórios periódicos de transparência;
— Representante legal no Brasil: qualquer serviço digital precisa ter alguém no país para responder judicialmente;
— Restrições a jogos e loot boxes: mecânicas similares a apostas serão proibidas para menores;
— Controle sobre apps e sistemas: a lei abre margem para exigir controle sobre downloads, funcionamento e acesso, inclusive em sistemas como Linux;
— Punições pesadas: multas de até R$ 50 milhões ou até bloqueio total no país poderão ocorrer por supostas violações.
Em resumo: mais regras e exigências para empresas e mais poder concentrado no governo por meio de órgãos reguladores.
Confira: “Câmara Aprova Emenda do NOVO que Defende Castração Química para Pedófilos”!
A seguir, falamos o que quase ninguém destaca: os efeitos colaterais de uma lei que promete proteger, mas entrega amplos poderes para restringir a liberdade de todos os cidadãos.
Quando empresas são obrigadas a remover conteúdo “preventivamente”, o incentivo é simples: melhor apagar demais do que correr risco.
O resultado disso é excesso de moderação, remoções arbitrárias e autocensura. Liberdade de expressão? Não, sabor liberdade de expressão.
A ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) assumiu o papel central de agência reguladora e fiscalizadora da Lei Felca. A Autoridade terá mais poder para exigir novas regras incertas futuramente e de forma centralizada, sem qualquer debate pela sociedade.
Em tese, hoje a prioridade da ANPD é a proteção. Amanhã pode ser qualquer outra demanda de quem está no poder.
Além disso, para impedir que menores acessem conteúdo, será necessário identificar quem é maior de idade. Tradução: mais coleta de dados, possivelmente incluindo dados biométricos, pelo órgão estatal.
Curioso, não? A ANPD, que deveria proteger sua privacidade, agora pode exigir que você prove quem é para usar a internet.
Confira: “Allen pelo Pará Lidera Pressão por CPI do Marajó Contra Abuso Infantil”!
O critério de “acesso provável” de menores é infinitamente amplo. Se qualquer serviço pode ser acessado por menores, então todos os serviços podem ser regulados.
Isso gera: imprevisibilidade, aumento de custos e fuga de investimentos. Resultado? Menos desenvolvimento econômico no Brasil.
Aqui entra o ponto mais surreal da Lei Felca. Sistemas como Linux são: abertos, modificáveis, descentralizados.
Agora imagine exigir: controle de acesso, verificação de idade e bloqueio de funcionalidades. É tecnicamente inviável. Dessa forma, projetos open source (código aberto) podem simplesmente sair do Brasil.
Parabéns! Uma lei que “protege crianças” acaba limitando o acesso à tecnologia para todos.
Quem consegue cumprir regulações complexas e variáveis? Grandes empresas com equipes jurídicas. Gigantes com estrutura global
Quem não consegue? Startups, projetos independentes e desenvolvedores pequenos
Relatórios, compliance, exigências técnicas: tudo isso custa tempo, dinheiro, capital humano e energia produtiva.
Empreender no Brasil já é um inferno. Agora imagine fazer isso com uma legislação que impõe mais obrigações e pode mudar a qualquer momento. A consequência é óbvia: teremos menos inovação.
Confira: “Eduardo Girão Apresenta Projeto para Impedir que Estupradores Recorram em Liberdade”!
Com multas potencialmente milionárias e risco de bloqueio total, muitas empresas podem simplesmente decidir: “Não vale a pena operar no Brasil”.
Isso significa menos serviços, menos opções e menos inovação, em um país que já está atrasado em relação ao mundo no quesito de acesso à tecnologia. O que dificulta a vida de estudantes, empreendedores e profissionais em geral.
Pelo menos estaremos “protegidos”, só que não.
A Lei Felca abre uma porta no mínimo ameaçadora: o governo passa a regular diretamente como a internet funciona.
Hoje é sobre regular conteúdo infantil.
Amanhã pode ser sobre opinião política, informação em geral e debate público.
Ainda bem que só temos gente responsável, ficha limpa e ética no governo federal, não é mesmo? Confia.
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A proteção das crianças é essencial. O problema é usar essa pauta para justificar medidas que ampliam o controle estatal, reduzem a liberdade, inviabilizam inovação e aumentam a vigilância sobre o cidadão comum.
Esse não é o único caminho e certamente não é o mais eficaz e ético. Por isso, o NOVO votou contra a Lei Felca. Também fomos o único partido a orientar contra.
O Brasil já possui instrumentos legais como o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Marco Civil da Internet, que permitem punir crimes graves quando há investigação e aplicação efetiva da lei.
Além disso, é possível proteger crianças de forma eficaz sem transformar a internet em um ambiente de controle generalizado. Soluções mais inteligentes passam por:
— Fortalecer a investigação policial e a cooperação internacional;
— Focar na responsabilização de criminosos, não de usuários comuns;
— Incentivar educação digital para pais e crianças;
— Ampliar o uso de ferramentas voluntárias de controle parental;
— Garantir remoções com base em ordem judicial, evitando censura preventiva;
— Proteger a privacidade, em vez de exigir coleta massiva de dados.
Esse modelo parte de um princípio simples, mas ignorado: proteger não pode significar punir a todos com censura, menos acesso à tecnologia e ao desenvolvimento econômico.
No fim, a pergunta que fica é simples: quem protege o cidadão do excesso de “proteção” do governo? O NOVO contribui e faz sua parte, propondo projetos, votando contra projetos de censura e fiscalizando as autoridades, mas nossa atuação tem limitações. Até, porque temos apenas 6 congressitas hoje.
A liberdade digital no Brasil não pode virar mais uma vítima do autoritarismo disfarçado de boas intenções.
O NOVO defende a liberdade de expressão e mais acesso à tecnologia para o brasileiro honesto, e menos dificuldades para quem empreende. Por isso, fomos e continuaremos sendo contra a Lei Felca e outras medidas de censura. Conte com o NOVO na luta pela liberdade.