Júlia Zardo, candidata a deputada federal pelo Rio Grande do Sul, é a candidata “anti Manuela D’Ávila”. Ela explica que ser “anti-Manu” é ser contra governos autoritários, é apoiar penas mais duras para criminosos, especialmente para condenados por violência contra a mulher, e é defender a redução da maioridade penal. Esses são exatamente os três pontos em que Manuela se posiciona de forma contrária.
Em 2025, por exemplo, o PSOL (partido de Manuela) votou contra o aumento da pena para estupradores e agressores domésticos.
Além disso, Júlia Zardo defende o oposto que Manuela em outros temas fundamentais.
Ela é a favor de menos interferência do governo na vida das pessoas e mais em liberdade individual, da iniciativa privada, do empreendedorismo e da autonomia das mulheres.
Confira a entrevista exclusiva que fizemos com a candidatura do NOVO a seguir!
— Júlia Zardo, candidata a deputada federal pelo RS: trabalho na prefeitura
— Júlia Zardo, candidata a deputada federal pelo RS: plano diretor e enchentes
— Júlia Zardo, candidata a deputada federal pelo RS: sanar os problemas do gaúcho
— Júlia Zardo, candidata a deputada federal pelo RS: menos impostos e menos burocracia
— Júlia Zardo, candidata a deputada federal pelo RS: candidata anti Manuela D’Ávila
— Júlia Zardo, candidata a deputada federal pelo RS: autonomia feminina
— Júlia Zardo, candidata a deputada federal pelo RS: planejamento urbano com liberdade
— 1. Você é arquiteta, empresária, foi vereadora suplente e secretária adjunta de Meio Ambiente e Urbanismo de Porto Alegre, tendo participado ativamente da construção do novo plano diretor da capital. O que a experiência prática de planejar a cidade te ensinou sobre os verdadeiros obstáculos que travam o desenvolvimento urbano? E como isso te diferencia de quem só discursa sobre o tema de Brasília?
Aprendi que muitas vezes o problema é o excesso de obstáculos, não a falta de investimentos.
Como arquiteta, eu já conhecia a burocracia pelo lado de quem precisa aprovar, construir e empreender.
Como empresária, vivi o impacto de impostos, regras e insegurança jurídica. E, quando fui para a gestão pública, passei a enxergar como esses obstáculos são criados por dentro.
Na Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo, participei diretamente da discussão do novo Plano Diretor e percebi como uma regra mal desenhada pode atrasar um empreendimento, encarecer uma moradia e impedir uma cidade de se desenvolver.
Minha trajetória reúne justamente essa visão de quem esteve na iniciativa privada, na gestão pública e também no legislativo.
É essa experiência que eu quero levar para Brasília.
O deputado federal não decide o Plano Diretor de uma cidade, mas decide sobre tributação, segurança jurídica, infraestrutura, financiamento e uma série de regras que chegam lá na ponta e interferem diretamente na vida dos municípios.
Eu não quero pensar a cidade a partir de um gabinete em Brasília. Quero fazer o contrário: levar para Brasília aquilo que aprendi resolvendo problemas reais na cidade.
Confira: “30 motivos para votar em candidatos do Partido Novo”!
— 2. Mesmo após as terríveis enchentes de 2024, Porto Alegre ainda sofre com as chuvas, como ficou evidente com os novos alagamentos este ano. Você participou intensamente no desenvolvimento do novo plano diretor de Porto Alegre. Como a nova legislação foi aprimorada para combater as enchentes?
A enchente de 2024 deixou uma lição muito dura: não podemos continuar planejando a Porto Alegre do futuro com os parâmetros climáticos do passado.
Por isso, a adaptação climática entrou de maneira muito mais forte no novo Plano Diretor.
O texto trabalha com regras para a ocupação de áreas sujeitas a inundações e com exigências técnicas destinadas a reduzir os impactos da urbanização sobre a drenagem. A própria proposta foi estruturada para integrar desenvolvimento urbano, drenagem e resiliência climática.
Também precisamos entender que o Plano Diretor não substitui manutenção de bombas, diques, comportas e redes de drenagem. São dimensões complementares. Planejamento urbano serve para impedir que as decisões de hoje agravem os problemas de amanhã.
O novo Plano Diretor e a Lei de Uso e Ocupação do Solo foram sancionados em julho, depois de um processo que recebeu mais de 6 mil contribuições e as novas regras passam a valer em 2027.
Para mim, uma cidade resiliente não é aquela que promete que nunca mais vai enfrentar um evento extremo. É aquela que se prepara, reduz riscos e aprende com aquilo que já aconteceu.
Confira: “Ditadura de Getúlio Vargas: 7 absurdos do ‘pai dos pobres’”!
— 3. Em 2024 você concorreu a vereadora e obteve cerca de 5 mil votos. Agora disputa uma cadeira federal. O que a experiência de campanha municipal te mostrou sobre as dores reais do porto-alegrense e como pretende transformar esse aprendizado em atuação efetiva em Brasília?
Na minha primeira eleição, recebi 4.856 votos, mas o maior aprendizado não cabe em um número.
Tive a oportunidade de participar de todas as reuniões do Orçamento Participativo, de conhecer milhares de pessoas e perceber que problemas que parecem diferentes muitas vezes têm a mesma origem.
O pequeno empresário reclama do imposto e da burocracia. A família reclama do custo de vida. Quem mora longe reclama do tempo perdido no deslocamento. As mulheres reclamam da insegurança. Quem quer construir ou investir enfrenta regras demais e previsibilidade de menos.
Isso reforçou em mim uma convicção: a política precisa voltar a facilitar a vida de quem trabalha e produz, em vez de criar mais obstáculos.
Em Brasília, quero olhar cada projeto com uma pergunta muito simples: isso devolve liberdade e oportunidade para o cidadão ou cria mais uma dificuldade?
Minha atuação vai priorizar liberdade econômica, redução da burocracia, segurança jurídica, infraestrutura, segurança pública e respeito ao dinheiro de quem paga impostos.
São temas nacionais, mas que têm consequência muito concreta na vida de quem mora em Porto Alegre, na Região Metropolitana e no interior do Rio Grande do Sul.
— 4. Você defende liberdade econômica, empreendedorismo e redução da burocracia. Paralelamente, a população de Porto Alegre e região metropolitana sente no bolso o peso dos impostos e a dificuldade de empreender. Quais propostas concretas você vai protocolar e priorizar na Câmara Federal para destravar a economia da capital e do interior gaúcho?
Eu quero trabalhar principalmente em três frentes: menos impostos, menos burocracia e mais segurança para quem investe.
A primeira é defender os empreendedores, ampliando a liberdade para trabalhar e combatendo regras que aumentem desnecessariamente o custo de manter um negócio.
A segunda é avançar na simplificação de licenças e obrigações, especialmente onde o governo federal cria sobreposição de exigências.
A terceira é segurança jurídica: quem investe precisa conhecer as regras e confiar que elas não serão alteradas o tempo inteiro.
Essas prioridades são coerentes com os eixos programáticos que tenho defendido de liberdade econômica, pequenos negócios e redução de regulamentações.
Também vou priorizar a infraestrutura. Para o Rio Grande do Sul competir, precisamos melhorar rodovias, portos, aeroportos e ferrovias.
Isso vale para a indústria da Região Metropolitana, para quem produz na Serra e para o agronegócio do interior. Logística ruim vira custo, e esse custo acaba chegando ao preço pago pelo consumidor.
O Brasil precisa parar de tratar quem produz como alguém que deve provar o tempo inteiro que não está fazendo nada errado. O empreendedor não é inimigo do desenvolvimento. É quem gera o desenvolvimento.
— 5. Você tem se colocado publicamente como a candidata “anti-Manuela”. Do outro lado, mulheres com alta competência técnica e de direita, como você, têm contribuído cada vez mais dentro da política gaúcha. O que te motiva a assumir essa posição de enfrentamento contra Manuela D’Ávila?
A Manuela representa uma política que fracassou no mundo inteiro. Ela apoia ditadores, é contra penas mais duras para pedófilos e estupradores, é contra a redução da maioridade penal.
Eu acredito no oposto, em menos governo controlando a vida das pessoas e mais em liberdade individual. Acredito na iniciativa privada, no empreendedorismo, na responsabilidade individual e na autonomia das mulheres.
É isso que significa ser “anti-Manuela”.
Eu quero mostrar que há espaço para uma mulher liberal, feminina, independente e firme, que discorda da agenda da esquerda e defende a autonomia e oportunidades para outras mulheres.
— 6. Muitas mulheres de direita não se sentem representadas pelo feminismo e pelas pautas identitárias. Como você, sendo uma mulher jovem e de direita, pretende ocupar esse espaço e oferecer uma alternativa real a essas mulheres que rejeitam o discurso da esquerda?
Eu não acredito que mulher precise pensar de determinada maneira para ser considerada uma mulher forte ou independente.
Para mim, autonomia feminina significa justamente poder escolher.
Escolher empreender ou seguir uma carreira. Escolher ser mãe. Escolher ficar em casa. Escolher as prioridades da própria vida sem que um partido, um movimento ou o governo diga qual é o comportamento correto.
Foi essa visão que me levou a participar da criação do Elas por Elas, um movimento de mulheres empreendedoras com mais de 300 mulheres associadas, voltado à independência financeira, ao desenvolvimento profissional e ao empreendedorismo feminino.
Quero levar para a política uma agenda feminina baseada em questões concretas: segurança, combate à violência, independência financeira, empreendedorismo e liberdade de escolha.
Não quero substituir um conjunto de rótulos por outro.
Quero que uma mulher possa olhar para a política e perceber que ela não precisa escolher entre ser feminina e ser forte, entre ter família e ter carreira ou entre ser independente e defender valores de direita.
— 7. O que o resto do Rio Grande do Sul e do Brasil poderia aprender com a forma como você enxerga a relação entre planejamento urbano, liberdade econômica e papel estatal?
Que uma cidade boa não é aquela em que o governo tenta decidir tudo. É aquela em que o governo faz bem aquilo que precisa fazer e deixa as pessoas construírem, trabalharem e empreenderem.
Planejamento urbano e liberdade econômica não são conceitos opostos. Pelo contrário. Um bom planejamento cria infraestrutura, previsibilidade e regras claras.
A liberdade econômica permite que, dentro dessas regras, as pessoas invistam, construam moradias, abram empresas e criem oportunidades.
O novo Plano Diretor de Porto Alegre buscou justamente aproximar desenvolvimento urbano, mobilidade, habitação, adaptação climática e atividade econômica.
Eu acredito em um governo que seja forte no essencial e limitado no restante, que cuide da infraestrutura, da segurança, da fiscalização e das regras básicas, mas não transforme cada iniciativa do cidadão em uma peregrinação burocrática.