Tiago Albrecht, candidato a deputado federal pelo Rio Grande do Sul, é pastor, vereador de Porto Alegre, combatente incansável contra o aumento de impostos e defensor ferrenho do uso eficiente do dinheiro do gaúcho.
Além disso, ele é filiado ao NOVO desde antes do partido conquistar o registro oficial em 2015 e defende que a sigla é a que melhor representa os valores conservadores.
Confira a entrevista exclusiva que fizemos com ele!
— Conheça Tiago Albrecht, candidato a deputado federal pelo Rio Grande do Sul: combate às enchentes
— 1ª – Você foi reeleito vereador por Porto Alegre com mais de 7,6 mil votos e tem quase quatro anos de mandato. Quais foram suas principais conquistas como legislador municipal?
Nesses quase quatro anos, procurei fazer um mandato que unisse fiscalização, responsabilidade com o dinheiro público e entregas para Porto Alegre.
Uma das marcas do nosso mandato foi a criação da Frente Parlamentar em Defesa da Liberdade Religiosa e do Estado Laico, que eu presido desde 2023.
Criamos um espaço permanente dentro da Câmara para tratar da liberdade de crença, de culto e de consciência, promover o diálogo entre diferentes matrizes religiosas e discutir a relação entre religião e poder público.
É uma pauta que faz parte da minha trajetória e que ganhou uma atuação institucional dentro da Câmara municipal.
Também tive uma responsabilidade importante na discussão do novo Plano Diretor de Porto Alegre. Fui escolhido coordenador-geral do Fórum de Entidades do Plano Diretor, principal espaço de participação da sociedade civil durante a tramitação na Câmara.
Coordenamos os debates entre 74 entidades e movimentos, com posições e interesses bastante diferentes, sobre temas como mobilidade, desenvolvimento econômico, meio ambiente, infraestrutura e ocupação urbana.
Ao final desse trabalho, o Fórum produziu 102 propostas de emenda que foram encaminhadas para análise do poder legislativo.
Na saúde, buscamos usar as emendas para resolver problemas concretos, especialmente as filas.
Um dos principais resultados foi o projeto para ampliar o tratamento de canal pelo SUS por meio do credenciamento de clínicas privadas.
Destinamos R$ 777 mil entre 2024 e 2026, mais de 1,2 mil tratamentos foram realizados e a fila de endodontia foi reduzida em cerca de 20%.
Também destinamos recursos para ampliar a realização de colonoscopias e fortalecer hospitais e instituições de saúde da capital.
Na educação, destinamos mais de R$ 600 mil em emendas ao longo do mandato, somando em recursos para escolas, projetos educacionais e instituições que atendem crianças e jovens em Porto Alegre.
Depois das enchentes, também priorizamos o fortalecimento da Defesa Civil.
Uma das entregas foi um novo bote para operações de resgate, adquirido com emenda do nosso mandato. É uma embarcação preparada para atuar no Guaíba e em áreas alagadas, com capacidade de carga de até 1,7 tonelada e motor de 115 HP.
Na parte de projetos, conseguimos aprovar a lei que estabeleceu prazo para a prefeitura decidir processos administrativos.
Depois de concluída a instrução, o município passou a ter até 45 dias úteis para apresentar uma decisão, trazendo mais previsibilidade para quem depende de uma resposta do poder público e evitando que processos simplesmente fiquem esquecidos na burocracia.
Outra área em que assumi bastante responsabilidade foi o orçamento da cidade. Fui relator da Lei Orçamentária de 2025, analisando a aplicação de mais de R$ 12 bilhões, e depois fui relator do Plano Plurianual 2026–2029, que organiza o planejamento de Porto Alegre por quatro anos e envolve R$ 58,1 bilhões.
Hoje também presido a Comissão de Economia, Finanças, Orçamento e do Mercosul, uma das principais instâncias de fiscalização das contas municipais.
Criamos ainda o Você Vereador, um processo público de seleção das nossas emendas parlamentares.
Em vez de escolher dentro do gabinete quem recebe os recursos, abrimos editais para que entidades e órgãos apresentem projetos nas áreas de saúde, educação, segurança, assistência social e zeladoria, com critérios técnicos e transparência na seleção.
Atualmente, com muito orgulho, sou líder da bancada do NOVO na Câmara de Porto Alegre, coordenando a atuação e os principais posicionamentos do partido no Legislativo.
Então, quando olho para esses quase quatro anos, vejo um mandato que conseguiu atuar em diferentes frentes: produzindo leis, coordenando discussões importantes para o futuro de Porto Alegre, fiscalizando bilhões de reais do orçamento e direcionando recursos para serviços que chegam diretamente à população e, por óbvio, sempre combatendo as ideias vis da esquerda que tanto atrasam nossa cidade.
Esse foi o compromisso que procurei manter desde o primeiro dia na Câmara.
— 2ª – Mesmo depois da catástrofe em 2024, Porto Alegre ainda sofre com enchentes. Para piorar, o governo Lula deixou muito a desejar na ajuda ao Rio Grande do Sul nesse sentido. Ainda mais considerando o péssimo pacto federativo atual, que deixa o estado com uma fração dos recursos produzidos no RS. Pesquisas mostram que as enchentes são o principal problema apontado pela população, à frente até da segurança. O que a experiência concreta fiscalizando a prefeitura te mostrou sobre a gestão dos recursos e da infraestrutura local? E quais soluções estruturantes você vai levar para a Câmara Federal para que o Rio Grande do Sul deixe de ser refém das cheias?
A questão das enchentes, que são diferentes dos alagamentos: os alagamentos acontecem muito porque Porto Alegre é uma cidade plana e, de fato, está defasada do ponto de vista da drenagem.
O atual prefeito, do qual nós somos base do governo, tem investido, tem corrido atrás de investimentos e empréstimos nesse sentido. Claro que sempre pode ser melhor.
Claro que a atual gestão municipal também tem a sua parcela de culpa, mas é bem menor do que, por exemplo, a do Lula e a do Leite, presidente e governador.
O governador amarrou os processos, os projetos não andaram. O Lula diz que mandou dinheiro, mas, na ponta, a gente não vê esse dinheiro.
O prefeito Melo fez obras emergenciais de contingenciamento, melhorou algumas casas de bombas. Então, vemos o poder público municipal correndo atrás, dando algumas entregas, sim, que amenizam, mas não resolvem o problema.
Para resolver o problema, calcula-se que sejam necessários mais de R$ 5 bilhões de reais, que a prefeitura, inclusive, está tentando conseguir junto aos órgãos competentes.
Mas o grande problema é o descaso de Lula, que, na minha opinião, numa retaliação política por ser muito rejeitado por aqui, deu de ombros para a nossa dor aqui no Rio Grande do Sul, e a incompetência de um embuste em forma de marqueteiro que se chama Eduardo Leite.
— 3ª – Você é teólogo, comunicador e pai de família. Hoje temos um partido que ataca abertamente isso, dizendo que evangélicos são burros, apoiando pautas pró-aborto, doutrinando nossas crianças com uma educação enviesada e tentando de todas as formas acabar com a liberdade de expressão. Como sua formação e sua fé moldam a forma como você enxerga os últimos quatro anos de governo Lula? E o que vai defender como deputado federal para proteger a família, a liberdade de expressão e o direito de educar os filhos segundo as próprias convicções?
Sem dúvida nenhuma, a esquerda defende valores que vão contra os valores que eu, como cristão, defendo.
Especialmente a extrema esquerda, a esquerda identitária, a esquerda ideológica, que quer subverter a família, quer acabar com a célula-mãe da sociedade, que é a família, como a Constituição prevê, aliás: a proteção da família.
Como deputado federal, vou trabalhar e votar contra o aborto. Vou trabalhar e votar contra a inserção de pessoas que não sejam mulheres biológicas nos esportes femininos, proteger a família contra as drogas, aumentando as penas de traficantes.
E também, na defesa da família, aumentar as penas de bandidos, estupradores, assassinos, violentadores, homem que bate em mulher. Todos esses covardes e bandidos têm que ter a pena aumentada.
Liberdade de expressão é um direito inalienável. As pessoas têm direito de crer, de não crer, de fazer proselitismo, de fazer campanha contra.
Está tudo certo dentro da liberdade e, claro, dentro dos limites constitucionais também. Hoje já há remédios previstos, você pode entrar na Justiça caso se sinta ofendido.
Sou a favor do homeschooling, ainda que eu não seja adepto do homeschooling, mas defendo o direito das famílias de poderem ter a primazia de educar os seus filhos.
Enfim, direitos fundamentais, direito a ser feliz, direitos individuais da pessoa, de ter a orientação sexual que quiser, de ter a religião que quiser, de ser feliz do jeito que achar que tem que ser.
Claro, respeitando o direito do outro de ser feliz, de crer, de não crer e de fazer o que quiser.
— 4ª – Quem te vê hoje como líder da bancada do NOVO em Porto Alegre e candidato a deputado federal, muitas vezes não imagina a trajetória que te trouxe até aqui. Você foi pastor luterano por uma década, trabalhou como assessor parlamentar no Congresso, trabalhou como vereador suplente, assumiu a titularidade e depois foi reeleito com 2x mais votos. Olhando para esse caminho, o que a experiência de deixar o púlpito e entrar na política te ensinou sobre servir ao povo? E como isso te diferencia dos políticos de carreira gaúchos?
Olha, a minha vocação é o serviço. É ajudar as pessoas, é servir as pessoas. Quando eu era pastor — hoje estou licenciado, pois a Igreja proíbe a atividade político-partidária concomitante ao ministério pastoral —, a nossa maior vocação era esta: liderar e servir, servir e liderar.
Quando vim para a política e me interessei em concorrer, quis trazer para este verdadeiro sacerdócio público, para esta vida pública, o mesmo que eu fazia na Igreja, digamos assim, no terceiro setor: servir as pessoas e liderar. Liderar, muitas vezes, pelo serviço.
Temos visto que muitas pessoas querem servir-se da política, dos privilégios e do acesso ao poder. Eu, não.
O que talvez me diferencia muito dos demais é justamente isso: esse senso de serviço e a seriedade no trato da coisa pública, na votação de leis, na fiscalização do Poder Executivo e na distribuição de emendas.
Fazemos editais abertos à participação de toda Porto Alegre e colocamos o dinheiro em projetos limpos, transparentes e, preferencialmente, que sirvam ao próximo.
É dinheiro injetado como insumo na ponta, para que as pessoas possam ser atendidas por meio da máquina estatal.
Então, acredito que essas sejam as minhas maiores diferenças, que trago da minha trajetória. Já venho aplicando isso como vereador e quero continuar aplicando como deputado federal.
— 5ª – Seu mandato é marcado pela defesa do pagador de impostos e pela cobrança de eficiência com dinheiro arrecadado. Você foi autor da lei que obriga a prefeitura a responder processos em prazos definidos e destina emendas de forma técnica, sem curral eleitoral. Em um país onde o cidadão paga cada vez mais imposto e recebe cada vez menos, como você pretende levar essa lógica de combate ao aumento de impostos e respeito ao dinheiro público para Brasília?
Todo parlamentar precisa liderar pelo exemplo. Eu, como pai de família, se não liderar os meus filhos pelo exemplo, ou até mesmo a minha esposa, não estarei cumprindo o meu papel.
Acredito que um empresário, um chefe ou um CEO, se não der o exemplo no seu emprego, no seu trabalho e na sua empresa, também não conseguirá liderar.
O exemplo arrasta multidões. No trato da coisa pública e no dia a dia, não dispomos de privilégios. Fazemos uma boa alocação dos recursos públicos e respeitamos o suado dinheiro do pagador de impostos. Essa é uma prática que vou levar para Brasília.
A questão das emendas continuará sendo conduzida por edital. Ou seja, todo o estado do Rio Grande do Sul poderá participar. Os critérios técnicos já demonstram seriedade.
O projeto precisa ser bem escrito, ter aderência e profundidade, além de demonstrar a relevância do pleito e da verba solicitada.
Não há outra forma de mostrar aquilo em que se acredita senão pelo exemplo. Os atos gritam mais alto do que as palavras.
Não adianta eu pregar e defender uma coisa na tribuna e, na prática do meu mandato, fazer outra. Para nós, do NOVO, isso é automático: aquilo que pregamos, fazemos; e aquilo que fazemos, demonstramos por meio das nossas ações.
Confira: “O NOVO é o partido que mais luta contra impostos”!
— 6ª – O Partido Novo é a sigla mais à direita do Brasil e que mais faz oposição ao governo Lula. Você está no partido desde o início da carreira política e hoje é uma das suas principais lideranças. O que te faz acreditar que o NOVO é o melhor caminho para famílias conservadoras, cristãs e defensores da liberdade econômica? E quais projetos vai propor em defesa disso?
Estou no NOVO desde que o partido foi fundado. Quando o NOVO foi homologado pelo TSE, no outro dia me filiei. Claro, não me engajei naquele momento, porque ainda estava no ministério.
A minha igreja proíbe o exercício de atividade político-partidária durante o ministério pastoral.
Em 2018, quando resolvi concorrer, licenciei-me e vim para o NOVO. Depois, trabalhei com Marcel Van Hattem.
Agora, estou indo para a minha 5ª eleição pelo Partido Novo, que não é um perfeito, evidentemente, mas possui as suas diretrizes, a sua governança e o seu estatuto, todos voltados para que façamos o que é certo, sem personalismos e sem salvadores da pátria.
O partido respeita o pagador de impostos e busca a eficiência da máquina pública, que é sustentada pelo suor desse pagador de impostos.
O NOVO é o melhor ninho para aqueles que querem um país no qual o Estado não se intrometa na família, não aborte vidas, não determine em que você deve acreditar e não diga como as pessoas precisam agir.
Tudo isso com um bom tempero de liberdade econômica, ou seja, que o Estado não pese no cangote daqueles que querem empreender.
Os meus projetos em Brasília estarão muito mais voltados a “zagueirar” ideias ruins.
Sabemos que a esquerda tenta aprovar as piores coisas possíveis. Também vou cobrar o governo federal, que, se Deus quiser, será de direita.
Vou cobrar que o executivo federal possa, de fato, cortar na própria carne os privilégios — e que o legislativo faça o mesmo — para que sobre mais dinheiro no bolso do pagador de impostos.
Vamos defender esses valores, sejam eles culturais ou econômicos, por meio do exemplo. Isso significa ser um bom zagueiro contra péssimas ideias e alguém que vai para cima para cobrar do governo federal aquilo que prometeu durante a campanha.
— 7ª – Depois de anos como pastor e defendendo valores que muita gente considera “fora de moda”, o que você acredita que os valores cristãos têm a ensinar para o Brasil, mesmo para quem não se identifica com uma fé específica?
Olha, o Estado não deve impor a religião. Sou absolutamente a favor do Estado laico e contra a tentativa de estabelecer um nacionalismo cristão, como se agora a Igreja tivesse que governar a cultura e o Estado.
Inegavelmente, os valores judaico-cristãos, como a defesa da vida, o respeito ao próximo e à propriedade, passar as tradições aos filhos e netos, o trabalho, o respeito às pessoas, às crenças e às não crenças do próximo, fazem parte de todo um espectro de liberdade e de respeito às diferenças.
Tudo isso está presente na própria fundação do hemisfério ocidental e, de certa forma, também na formação do Brasil.
Acredito que a cultura judaico-cristã e os valores cristãos de liberdade, de respeito à vida e ao próximo, de defesa da democracia e do Estado de Direito são valores enraizados até mesmo nos Dez Mandamentos, por exemplo, que a Bíblia preconiza.
Portanto, acredito que a cultura judaico-cristã é o fio que costurou toda a nossa sociedade e tem muito a acrescentar nesse sentido: dar liberdade às pessoas, respeitar as consciências, um Estado limitado, o direito à vida, o direito à busca da felicidade e a propriedade privada.
Todos esses valores podem tornar o Brasil ainda mais forte.