STF: onde há excesso, há falta 

02 de fevereiro de 2026

Edson Fachin, presidente do STF, afirmou recentemente que um impeachment de ministro do Supremo seria um “risco institucional”. Disse também que a Corte “precisa de autocontrole”.

As afirmações ou são ingênuas, ou maldosas.

O artigo 52 da Constituição Federal prevê que cabe ao Senado processar e julgar membros do Supremo Tribunal Federal nos crimes de responsabilidade. Ou seja, o impeachment de um ministro é decidido pelo Poder Legislativo.

Fachin, então, está dizendo que uma legítima aplicação do que prevê a lei é um risco institucional? O ministro esqueceu que a função fundamental da Corte que preside é a guarda da Constituição?

Uma vez que descarta a possibilidade de impeachment, Fachin fala em autocontrole, um assunto cada vez mais distante da realidade. O autocontrole inexiste no STF e não há qualquer indício de que algum dia existirá. Ao contrário, a concentração de poder só cresceu ao longo do tempo e, onde há excesso de poder, há falta de controle.

Já há alguns anos, o STF não sai das páginas de análise política, pois assim atua: politicamente. A lei serve apenas para atender a interesses privados. O devido processo é simplesmente ignorado quando convém. Mais recentemente, alguns ministros do STF não estão apenas vinculados a notícias de política, mas de polícia. O escândalo do Banco Master revelou que dinheiro e lobby se tornaram parte da rotina da Corte. Se necessário, atuam como advogados de luxo dos réus e tumultuam o processo.

O que se viu no país, desde 2019, com o escandaloso, imoral e ilegal inquérito das fake news, sob a ditadura de Alexandre de Moraes, é algo sem precedentes na história republicana. Todos os direitos individuais de cidadãos inocentes foram desrespeitados. O inquérito tramita há quase 7 anos em sigilo, aberto de ofício e sem participação do Ministério Público. Moraes é investigador, juiz, promotor, vítima e tudo o mais. Manda prender e soltar como quiser sem prestar contas a ninguém. É o homem mais poderoso do Brasil. E certamente muito perigoso para a democracia.

Em paralelo ao inquérito, a condução do julgamento dos manifestantes do 8 de janeiro é outro episódio em que fica patente a perseguição do ministro a seus adversários políticos. Cidadãos estão presos e condenados a penas equivalentes aos piores crimes sem terem feito nada demais. Mas sabemos o motivo: para os autoritários do Judiciário, não existe crime maior do que tentar denunciar suas ilegalidades. Moraes não suporta o contraditório e quer colocar na cadeia todos aqueles que representam risco ao seu projeto pessoal de poder.

O caso do Banco Master parece ser o episódio derradeiro do pântano moral em que se meteram alguns ministros. Lewandowski, Toffoli e Moraes têm relações com o banco. A condução do processo por Dias Toffoli já entrou para a história como a maior e mais escancarada tentativa de acobertamento de ilegalidades no sistema financeiro.

É por esse histórico recente que a sugestão de “autocontrole” do STF pelo presidente Edson Fachin soa absurda. Pelas mãos de alguns ministros e pela conivência dos outros, o Supremo tornou-se incontrolável.

Ou o Senado age para restabelecer a normalidade institucional, mediante o impeachment daqueles ministros que insistem em desrespeitar a lei, ou podemos entregar de vez as chaves do país à ditadura da toga.

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