Trabalho, meritocracia e riqueza

abril 28, 2017 10:58 am

por Marcelo Silva


Finalmente o Brasil tem a chance de destravar um dos nós do seu crescimento com a reforma trabalhista aprovada na Câmara de Deputados. Destaque para a possibilidade de se ter três salários: salário base + salário produtividade + salário participação nos lucros.

Um aspecto fundamental para prover uma contínua melhoria nos serviços públicos e nos privados (Gestão por Qualidade) diz respeito à meritocracia. No Japão os trabalhadores do setor privado, e em parte também do setor púbico, tem seus salários repartidos em três camadas. A primeira camada externa se vincula a variáveis mais independentes da organização, ganha-se com base no lucro da empresa, que dependem de condições e de flutuações de mercado. A segunda camada interna à organização é proporcional aos índices de produtividade das suas equipes operacionais comparativamente às de empresas do mesmo setor econômico. Mesmo que não haja lucro, mas seus índices de produtividade se mantém competitivos, esta parte do salário é mantida. E por último, o salário base. A forma como o japonês faz greve é amarrar uma faixa preta no braço para expressar o seu descontentamento, além da cultura do respeito às autoridades e às regras, ele não para pois recebe menos se assim o fizer. Este é o motivo porque no Japão quase não há demissão e pouca rotatividade do trabalhador. Não é incomum um trabalhador ter um único emprego ao longo de sua vida. O conhecimento não se perde e é repassado dos funcionários mais antigos e respeitados para os mais novos, e assim se permite a melhoria continua de todos os processos de trabalho. O Japão continua sendo há varias décadas, desde o pós Segunda Guerra, a sociedade mais complexa do planeta, segundo o índice de complexidade econômica, que mede o conhecimento e a capacidade de um povo processar diversos insumos vindos de vários países em produtos e serviços de alto valor agregado.

Fonte: The Atlas of Economic Complexity 

O fato de se ter parte do salário variável induz e educa a população japonesa a poupar quase 40% do que ganha. Meritocracia e Poupança: duas razões elementares para o aumento contínuo de produtividade e de riqueza no Japão. Uma pequena ilha que até pouco tempo era a segunda maior economia do mundo.  Mesmo nas escolas públicas no Japão, na Coreia do Sul, em Singapura, existe meritocracia. As melhores escolas têm concurso de entrada acirrado, os pais dedicam tempo ao filho preparando-o para os testes, pois sabem que o acesso ao ensino de melhor qualidade lhe garante um futuro melhor. Por outro lado, os professores e os dirigentes das escolas são melhor remunerados pelas notas dos seus alunos. Ou seja, qualidade e produtividade se incorporaram à cultura japonesa em todas as áreas, inclusive e em especial na Educação.

Enquanto isto, no Brasil, nos últimos quarenta anos a produtividade não aumentou nem 1%, graças ao direito de irredutibilidade dos salários. Ou seja, trabalhando muito ou pouco se ganha a mesma coisa. Qual é o incentivo a melhorar o que fazemos?


Marcelo Silva é agente de inovação e auditor fiscal da Receita Federal.


Os textos refletem a opinião do autor e não, necessariamente, do Partido Novo.

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