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Crédito do Trabalhador: 4 Fatos Perversos sobre o Empréstimo do Governo Lula
O programa Crédito do Trabalhador, a nova linha de crédito criada pelo governo Lula, é um péssimo negócio: ele utiliza os próprios rendimentos do trabalhador para o pagamento do empréstimo a juros altos.
Foto: o Crédito do Trabalhador é mais uma tentativa de reverter a rejeição popular de Lula (créditos: Ricardo Stuckert).
Lançado pela Medida Provisória nº 1.292 em 21 de março, o programa Crédito do Trabalhador promete levar o crédito consignado a 47 milhões de brasileiros com carteira assinada.
Na prática, o trabalhador pode pegar um empréstimo com juros altos, comprometendo até 35% do salário em parcelas descontadas direto da folha.
O “detalhe” que é pouco comentado: como garantia extra, o governo coloca na mesa até 10% do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
Ou seja, além de perder parte do salário, o trabalhador ainda arrisca seu fundo de garantia – aquele que supostamente seria sua segurança para o futuro.
O governo vende o FGTS como como uma reserva de emergência forçada, porque acha que o brasileiro não poupa.
Mas a realidade é outra: o rendimento mal acompanha a inflação (e só recentemente, por decisão judicial, passou a ter correção). Agora, esse dinheiro, que deveria ser uma reserva para emergências, vira garantia de empréstimo.
Apesar disso, desde que o sistema foi aberto para testes, o programa recebeu mais de 40 milhões de simulações em apenas 3 dias.
Confira a seguir mais 4 fatos perversos sobre o Crédito do Trabalhador!
1º fato: Crédito do Trabalhador cobra juros altos
O governo Lula vende o programa como se fosse algo vantajoso. Não é. O próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirma que os juros são de cerca de 5% a 6% ao mês.
Isso representa aproximadamente 77% a 201% ao ano, o que traz um risco imenso de endividamento.
O endividamento já é um problema crônico no país, com 76,1% das famílias brasileiras estando endividadas em 2025 segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC).
Para piorar, o prazo para a quitação do empréstimo é de até 96 meses (8 anos) – enquanto a permanência média em um emprego no Brasil é de, em média, apenas 24 meses de acordo com dados de 2023 do Ministério do Trabalho.
Assim, muitos trabalhadores terão que usar seu FGTS e verbas rescisórias para quitar dívidas quando mudarem de emprego. Caso esses valores não sejam suficientes, levarão a dívida para o próximo trabalho (se conseguirem um).
2º fato: programa é uma benção para os bancos
Quem é o maior beneficiário do Crédito do Trabalhador? Os bancos. Desde que o PT voltou ao poder, vemos diversas práticas antigas sendo aplicadas novamente. Uma delas é o favorecimento dos bancos.
Sim, a esquerda, que é uma das maiores críticas do sistema bancário, beneficia enormemente os bancos. Afinal, as políticas populistas do PT são fortemente baseadas no estímulo ao consumo com a expansão do crédito para a população.
Não é à toa que os bancos lucraram oito vezes mais durante os dois primeiros mandatos de Lula em comparação com a gestão de Fernando Henrique Cardoso, de acordo com o Valor Econômico.
Além disso, “nunca na história desse país” os bancos lucraram tanto quanto em 2023, o primeiro ano do mandato atual do petista, como aponta o Banco Central.
3º fato: Crédito do Trabalhador tende a aumentar a inflação
O programa Crédito do Trabalhador pode potencialmente contribuir para o aumento da inflação através de três mecanismos principais:
– Expansão do crédito e demanda agregada: ao injetar recursos na economia via empréstimos consignados, o programa aumenta o poder de compra de milhões de trabalhadores. Mas essa expansão de crédito não será acompanhada por aumento correspondente na produção de bens e serviços, porque a economia brasileira está crescendo acima da sua capacidade. Isso tende a gerar excesso de demanda, pressionando preços;
– Efeito multiplicador bancário: os recursos liberados tendem a circular no sistema financeiro, permitindo que bancos realizem novos empréstimos. Essa multiplicação monetária, se não adequadamente gerida, pode ampliar a massa de dinheiro em circulação;
– Pressão setorial: como muitos trabalhadores devem usar os recursos para consumo imediato (eletrodomésticos, veículos, reformas), setores específicos podem sofrer escassez de produtos e subsequente aumento de preços, especialmente em bens duráveis e serviços essenciais.
“O governo está tentando acessar dinheiro bancário usando o FGTS como garantia. É uma política que a gente já viu, de tentar fazer economia crescer via consumo. Mas isso pode gerar inflação mais alta: o Banco Central aumenta mais os juros e aí o efeito que o governo estava esperando é contrário”, afirma Alexandre Pires, professor de Economia do IBMEC-SP.
4º fato: divulgação do programa funciona como propaganda eleitoral antecipada
Em um vídeo publicado neste domingo (23), a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), fez referência ao programa Crédito do Trabalhador como “empréstimo do Lula”.
Na publicação, que foi posteriormente removida das redes, a ministra afirma: “Apertou o orçamento? O juro tá alto? Pega o empréstimo do Lula”, vinculando explicitamente o presidente ao programa governamental.
Isso foi uma clara tentativa de propaganda eleitoral antecipada. Como Lula afirmou recentemente em reunião com ministros, ele já está em campanha para 2026.
Nesse cenário, a abertura da nova linha de crédito é uma tentativa de reverter a impopularidade do presidente.
O Partido Novo reagiu imediatamente, questionando a legalidade da divulgação. Afinal, isso fere o princípio da impessoalidade.
Uma coisa é uma política de governo, outra completamente diferente é transformá-la em propaganda partidária atrelando ela a um político. Seria como chamar o Bolsa Família de “Bolsa Família do Lula”.
Por isso, o partido Novo protocolou duas ações contra o governo federal.
Representação bancada federal do NOVO no TCU
A bancada do NOVO protocolou uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) nesta segunda-feira (24), acusando a ministra de utilizar a máquina pública para promoção pessoal do chefe do Executivo.
O documento cita a violação do art. 37 da Constituição e pede:
– Suspensão imediata de peças publicitárias com teor semelhante;
– Aplicação de multas por descumprimento das normas de publicidade oficial;
– Responsabilização da ministra por desvio de finalidade.
Ação Popular de Felipe Camozzato
Paralelamente, o deputado estadual Felipe Camozzato (NOVO-RS) ingressou com ação na justiça requerendo:
– Proibição de associação entre políticas públicas e figuras políticas;
– Fixação de multa por novos casos de publicidade irregular;
– Investigação por possível improbidade administrativa.
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A líder do NOVO na Câmara dos Deputados, Adriana Ventura (SP), criticou a atitude do governo federal.
“A Constituição é clara: a publicidade institucional deve servir ao interesse público, não à promoção pessoal de autoridades. O que vimos no vídeo da ministra Gleisi é o uso indevido da máquina pública em uma tentativa descarada de antecipar a propaganda eleitoral para 2026. Isso fere diretamente o princípio da impessoalidade e não pode ser normalizado”, destaca.
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