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Editorial: Bajular ditadores não é política externa
Em 1972, o presidente americano, Richard Nixon, surpreendeu o mundo ao visitar o líder comunista chinês Mao Zedong, um dos ditadores mais cruéis e sanguinários do século 20. A visita marcou o fim de 25 anos de isolamento entre os dois países, consolidou uma aliança tácita contra a União Soviética e pavimentou o caminho para a abertura econômica chinesa que ocorreria a partir de 1979.
A viagem de Nixon à China mostra que a política externa é a arte de manter relações não só com países que admiramos, mas também com aqueles que execramos ou com quem temos divergências. Para isso serve a diplomacia, que em tempos de guerra negocia até com inimigos declarados.
Por outro lado, o fortalecimento da nossa democracia requer um constante repúdio a ditaduras e a violações de direitos humanos. Ao mesmo tempo em que se defende e se promove os interesses nacionais, é preciso pontuar a crítica à tirania – ou pelo menos evitar rasgar elogios a ditadores que massacram a própria população.
Por isso é tão revoltante que o presidente Lula receba, repleto de sorrisos, elogios e honrarias militares, o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Ao contrário de Nixon em 1971, o presidente brasileiro abandonou seu papel de líder internacional para aderir à pura e simples bajulação de alguém que submete seu país a uma ditadura tenebrosa.
Num surto de negacionismo histórico, Lula tratou como “narrativas” e “preconceito” a repressão de manifestantes por esquadrões da morte, as denúncias de assassinatos, perseguições políticas e torturas muito bem documentadas e relatadas pela ONU e pela Anistia Internacional.
Petistas tentam justificar o comportamento de Lula afirmando que a união dos países latino-americanos os torna mais fortes diante de ameaças de “grandes potências” como a Europa e os Estados Unidos. Na verdade, ao se alinhar ao bloco autocrático composto por China, Rússia, Irã e Venezuela, Lula destrói seu capital político junto às grandes potências ocidentais.
Há um prejuízo adicional. Ao chamar todos os presidentes da América do Sul para a cúpula sobre a Unasul, mas receber com honrarias de chefe de Estado apenas o ditador da Venezuela, Lula transmitiu a mensagem de que Maduro é mais importante que os demais.
Não à toa, os presidentes do Uruguai e até mesmo do Chile, o esquerdista Gabriel Boric, se mostraram incomodados com a reunião bilateral que antecedeu a cúpula e criticaram as falas do presidente brasileiro. A reunião acabou em clima de decepção, bem distante do consenso que Lula esperava.
O povo de um país é diferente do seu governo. É possível estreitar relações com o povo venezuelano sem endossar crimes contra a humanidade. Por isso o Partido Novo não é contrário a que se mantenha uma agenda para a defesa dos interesses brasileiros, com eventual pagamento da dívida venezuelana com o Brasil, desenvolvimento do comércio e parceria em projetos de fronteira.
Mas não se pode perder de vista o compromisso inegociável do Brasil com a democracia – e o estrago que o governo causa a si próprio ao se alinhar ao bloco autocrático que cada vez mais causa preocupações ao Ocidente.
Bajulação não é diplomacia: é só subserviência. Ao adular tiranos como Maduro, Lula se afasta das democracias da América do Sul e faz do Brasil não um líder, mas um pária internacional.
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