Editorial: Dilma 3

31 de janeiro de 2024

Durante as eleições de 2022, os observadores mais otimistas acreditavam que Lula faria um mandato similar ao seu primeiro governo, que seguiu a ortodoxia econômica de FHC e puxou o freio nos gastos públicos. Mas o presidente optou por seguir um exemplo desastroso: o de Dilma Rousseff.

Cada vez mais o terceiro mandato de Lula se parece com o segundo de Dilma. A semelhança mais evidente é o descuido com as contas públicas. Depois de o governo fechar 2022 no azul em R$ 122 bilhões, em 2023 Lula e Haddad criaram um rombo de R$ 230,5 bilhões. 

É o segundo maior déficit da história sem contar o ano de 2020, quando a pandemia forçou o Brasil e outros países a gastos extraordinários. Perde apenas para 2015, quando Dilma e Mantega produziram um resultado negativo similar: 230,6 bilhões (em valores corrigidos pela inflação).

Mesmo se descontarmos o pagamento antecipado de precatórios, que por decisão do STF ficam de fora do limite de gastos, o saldo negativo deste ano é de R$ 138 bilhões. A curva que se desenha parece ser a mesma do período entre 2011 e 2016, quando as contas passaram do azul para o vermelho em poucos trimestres. 

Durante o governo Dilma, boa parte da gastança se destinou a grandes empresários que prestavam favores ao governo. Via empréstimos subsidiados do BNDES, a presidente destinou centenas de bilhões a seus compadres, sob o pretexto de fortalecer a indústria nacional. É o que Lula, conforme anunciou na semana passada, planeja fazer. 

Além de sucumbir à tentação do gasto público, Lula tem protagonizado retrocessos no combate à corrupção. O aparelhamento de estatais, o desmonte de regras de governança e a tentativa de reabilitar empreiteiras condenadas na Lava Jato provocaram uma piora no índice de percepção da corrupção. A Transparência Internacional divulgou esta semana que o Brasil caiu dez posições no índice. Agora está na 104ª posição entre 180 países.

Há, porém, duas diferenças fundamentais entre este Lula e Dilma 2. O governo atual ainda não pode mexer no presidente do Banco Central, o que o impede de adotar uma política monetária irresponsável como a dos anos 2010. Essa “vantagem” de Lula deve deixar de existir em dezembro, quando o presidente enfim poderá nomear seu escolhido para o BC. 

A segunda diferença é que o Judiciário, desta vez, está inteiro do lado do presidente. A opinião pública ainda não faz pressão suficiente para que integrantes do STF deixem de apoiar Lula e passem a impedir os atentados do presidente à democracia brasileira e à luta contra a corrupção. Enquanto os resultados da política econômica não ficarem evidentes e a sociedade civil não der o seu recado, esse conchavo deve continuar.  


Gostou? Manda um pix! E ajude o NOVO a mudar o Brasil.

Receba nossas

novidades por

email!







    Visão geral de privacidade

    Este site usa cookies para melhorar sua experiência enquanto você navega pelo site. Destes, os cookies categorizados conforme necessário são armazenados no seu navegador, pois são essenciais para o funcionamento das funcionalidades básicas do site. Também usamos cookies de terceiros que nos ajudam a analisar e entender como você usa este site. Esses cookies serão armazenados no seu navegador apenas com o seu consentimento. Você também tem a opção de desativar esses cookies. Mas a desativação de alguns desses cookies pode afetar sua experiência de navegação.