Editorial: Crises comprovam que o “jeito Lula” de governar está esgotado

4 de junho de 2024

Lula candidatou-se, em 2022, com o único objetivo de limpar a própria biografia. Nenhuma proposta original, nenhuma ideia razoável para o país.  Sua campanha foi conduzida sob as mesmas lorotas de sempre: esculhambar todos os adversários e apostar em um sentimento difuso – e falso – de nostalgia sobre seus dois primeiros mandatos. Mas os velhos métodos aplicados há duas décadas já não surtem os mesmos efeitos na governabilidade. Com um ano e meio de governo, e atolado em crises político-institucionais, o jeito petista de fazer política esgotou-se.

Na capital federal, o governo amargou duas derrotas importantes na semana passada. Na primeira delas, os deputados rejeitaram mais uma tentativa de criar ferramentas de censura disfarçadas de “combate às fake news”. O veto 46/21 foi mantido, apesar dos esforços da base lulista para derrubá-lo. Com largo apoio popular, o Parlamento deixou claro que rejeita as constantes investidas do PT contra a liberdade de expressão.

A segunda derrota foi em outro tema caro ao governo: a manutenção das saidinhas para presos. O veto de Lula, que mantinha o benefício aos condenados, foi derrubado com ampla maioria. Nesse ponto, o Congresso também seguiu a vontade dos brasileiros, que preferem o benefício claro de ruas mais seguras. 

Os reveses recentes de Lula demonstram que suas artimanhas para obtenção de apoio no Parlamento perderam efetividade. O loteamento de cargos e ministérios não compra mais o apoio incondicional de partidos do Centrão, especialmente em pautas impopulares. A mobilização nas redes sociais leva deputados e senadores a pensarem duas vezes antes de contrariarem seus eleitores. O mesmo acontece com as emendas ao orçamento. Com o valor cada vez maior, e centralizadas na figura do presidente da Câmara, o apoio em troca de verbas está cada vez mais caro. 

Longe do Planalto, o presidente também enfrenta o problema da baixa popularidade. Conforme pesquisa do PoderData realizada entre 25 e 27 de maio, 47% desaprovam o governo Lula. É a primeira vez que a avaliação negativa supera a positiva desde o início de Lula 3. A resposta inadequada e populista à tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul consolidou o cenário de um governo que, apesar de gastar muito, não traz benefícios concretos para a população.

Sem apoio no Congresso ou nas ruas, resta a Lula apelar ao STF, onde ainda mantém ampla maioria. É lá que o governo deve tentar reverter as derrotas nos temas da censura e das saidinhas. A Corte reabilitou politicamente o petista e tem sido sua principal parceira.

Em entrevista recente, Lula também voltou a criticar a taxa de juros – provando que seu discurso surrado é imprestável aos tempos atuais – e afirmou que precisa aguardar até dezembro, quando encerra o mandato do atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Com um presidente do BC alinhado, nada impede Lula de forçar a redução da taxa de juros, repetindo o erro de Dilma Rousseff, que provocou no país a maior recessão econômica em sua história.   

Com o PT, o  Brasil está sem rumo. Lula voltou ao poder para limpar a própria biografia e aplicar fórmulas desastrosas do passado. Já não conta com o suporte do Parlamento e, tampouco, das ruas. Os únicos ainda capazes de apoiá-lo são aqueles sem voto, que decidem na canetada o destino de milhões. 

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