Produção no campo: orgulho nacional

dezembro 2, 2017 12:52 pm

por Eduardo Lunardelli Novaes

campo

 

Como se sabe, o Agronegócio Brasileiro é o setor mais competitivo e resiliente da economia brasileira. Cresce praticamente de forma ininterrupta ano após ano. Além das inestimáveis contribuições para a balança de pagamentos, geração de empregos, renda e arrecadação, foi e é pilar fundamental de sustenção da economia, tanto durante os diversos planos de estabilização econômica, como nos períodos de crise como o que vivemos.

Mas também é vítima de uma velha e sistemática campanha negativa. Atribui-se ao fazendeiro a imagem de latifundiário, explorador de mão de obra e destruidor do meio ambiente. Mas isso corresponde à realidade?
Não existe grande produtor rural, segundo a microeconomia.

O mercado de competição perfeita na Teoria Econômica é aquele em que nenhum agente econômico isoladamente tem poder de mercado suficiente (participação de mercado ou tamanho) para influenciar o preço do mercado de seu produto.

É exatamente o que se observa entre os produtores rurais nas indústrias de soja, bovinos, milho, leite, café, que representam mais da metade do faturamento bruto do setor.

São mais de 5 milhões de estabelecimentos agrícolas no Brasil, segundo o IBGE. A esmagadora maioria dos quais, pequenos produtores (segundo os critérios adotados pelo INCRA).

É o brutal aumento de produtividade, e não o aumento da área utilizada, que produz os extraordinários crescimentos de produção.

O aumento da produtividade no campo está ancorado em dois pilares: o melhoramento genético e o manejo produtivo. O ímpeto empreendedor do campo e os investimentos em pesquisa e desenvolvimento nessas duas áreas propiciaram ao Brasil se tornar na maior potência agrícola tropical do mundo.

São muito mais do que somente os produtores e trabalhadores rurais os responsáveis por esse progresso e recipientes de seus benefícios: o Agronegócio emprega 1/5 da força de trabalho do país. São indústrias de equipamento, desde moendas para usinas de açúcar até implementos agrícolas, de consultoria, de insumos das mais diversas naturezas, de suplementação mineral ou nutricional, de geo-processamento e TI, de prestação de serviços de logística em geral, entre tantas outras. Operam em elevado nível de especialização e produzem os avanços tecnológicos aplicados ao manejo operacional das atividades agrícolas. Não é a toa que determinadas regiões do Brasil fazem duas safras por ano, e ainda produzem carne bovina em parte do ano (integração lavoura-pecuária).

Já o melhoramento genético aplicado à agricultura, à produção animal e à silvicutura é ciência desenvolvida quase que exclusivamente no Brasil. Nenhum país do mundo detém tanta tecnologia genética em pecuária de corte tropical, açúcar e etanol e produção de fibras curtas (eucalipto). Entre tantos exemplos, somos o país que mais utiliza fertilização in vitro (“bebê de proveta”) como instrumento de multiplicação de genética melhoradora de bovinos, encurtando ganhos de produtividade em décadas.

 

Vejamos alguns números:

– A produção de grãos e óleos vegetais cresceu 240% entre 1976 e 2011, enquanto a área cultivada cresceu 32% (em grande parte sobre áreas de pastagens) com um aumento de produtividade de 2,57 vezes .

– Enquanto as áreas de pastagens diminuíram em 20,6% entre 1996 e 2006, a produtividade da produção de carne bovina cresceu 122% (78% performance animal/genética e 42,2% capacidade de suporte/manejo) .

– A cana-de-açúcar, utilizada para produção de biocombustíveis, açúcar e co-geração de energia elétrica, cresceu 7 vezes em tonelagem entre 1975/76 e 2009/10. Ocupa tão somente 1% do território nacional!

 

Tais avanços fizeram com que os preços da cesta básica tenham caído 50% em valores reais entre 1975 e 2011 . Propulsionam também as atividades econômicas urbanas de regiões agrícolas, que apresentam crescimentos chineses de PIB: Sinop (Mato Grosso) – 16% ao ano de 1999 a 2013, Luiz Eduardo Magalhães (Bahia) – 14% ao ano entre 2004 e 2011 e Três Lagoas (Mato Grosso do Sul) – 17% ao ano entre 2002 e 2012.

O produtor rural é quem mais preserva o meio ambiente.

Segundo o Banco Mundial, enquanto a Comunidade Européia tem 25% de seu território com áreas de preservação, a China tem 17% e os Estados Unidos, 14%. O Brasil preserva 66% de seu território, número que sobe para 74% se computarmos as pastagens nativas.

Segundo a EMBRAPA, a vegetação nativa preservada em propriedades privadas corresponde a 38% do total de área preservada no Brasil, mais do que o total de Unidades de Conservação (18%). Mais da metade das áreas das propriedades privadas são alocadas a preservação, o que corresponde a aproximadamente R$ 3,5 trilhões de capital privado direcionados à produção de serviços ambientais, ou sistêmicos, como produção de água e proteção da biodiversidade. Toda a sociedade é beneficiada, mas o produtor banca esse custo sozinho.

O bipé manejo de florestas e melhoramento genético para áreas protegidas só recentemente começou a ser desenvolvido. Os sistemas agro-florestais aliam intensiva utilização de mão de obra com desenvolvimento de tecnologias limpas e inovadoras, viabilizando recuperação ambiental de qualidade e inúmeros novos produtos (alimentos, fibras, insumos para a indústrias farmacêutica e de cosméticos) e hábitos de consumo.

A vocação do Brasil é alimentar o mundo.

Em uma geração o Brasil poderá alimentar 1/4 da população mundial, utilizando somente 1,7% da área da superfície terrestre do planeta, ainda assim produzindo biocombustíveis, fibras e madeiras. E o fará aumentando a qualidade da preservação ambiental.

Mas para que isso aconteça, é necessário que a sociedade brasileira compreenda o campo!

A quem interessa denegrir a imagem do campo? Àqueles que se beneficiam da divisão da sociedade brasileira e da perenização de privilégios. As armas utilizadas são sórdidas: destruição de propriedade privada e do meio de vida de brasileiros de bem em prol de verbas assistencialistas a grupos de interesses, muitas vezes criminosos. Legislação trabalhista retrógada, que trata o produtor como explorador, que inibe o empreendedorismo e a contratação, prejudicando os trabalhadores. A mídia, que como sabemos, generaliza as excessões. E, por fim, os interesses de grandes potências econômicas que preservam uma mera fração do que faz o Brasil e que adotam fortes barreiras contra nossos produtos. Suas armas? O discurso ambiental pródigo em produção miséria, e que eles só querem que seja adotado aqui.

Brasileiros de bem, cidadãos urbanos, seu apoio é fundamental para continuarmos a criar prosperidade e cumprirmos nossa vocação.


Eduardo Lunardelli Novaes é empreendedor do campo.


Os textos refletem a opinião do autor e não, necessariamente, do Partido Novo.

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