18 de novembro, 18 de maio

maio 18, 2017 4:41 pm

por Marcelo Calero

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Há exatos seis meses, deixava o Ministério da Cultura. A razão todos bem sabem: escolhi o lado da lei e atuei segundo os princípios republicanos. Não aceitei intervir em um órgão federal para atender a interesses particulares.

O que me parecia um comportamento esperado foi alvo de questionamento por parte da minha chefia. A partir dali, entendi as razões dos que me aconselhavam a me proteger. Afinal, quem acreditaria na palavra de um jovem servidor público, que ousou desafiar os “tubarões”? Minha incredulidade diante de um pedido absurdo hoje é, novamente, compartilhada por todo o país.

A classe política se uniu na tentativa de destruir minha reputação. Geddel procurou enquadrar tudo dentro de uma normalidade que eu não havia compreendido porque era “doce”. Aécio Neves pediu que eu fosse investigado. Rodrigo Maia disse que eu havia enlouquecido. Temer – que admitira sua atuação no caso e chegou a sugerir que eu havia me “confundido” – classificou minha conduta como “gravíssima” e me apontou “indigno”.

Exatos seis meses depois, entendemos de maneira ainda mais clara não apenas a razão dessa ferocidade, mas, especialmente, o modus operandi de nossa triste e ultrapassada elite política. Elite que atua como máfia, que não admite alguém que não compactua com seu pacto de silêncio e que não lhe é cúmplice. Elite podre, nojenta, abjeta, com suas práticas que nos desgraçam, ferem de morte. Elite que precisa, urgentemente, ser superada.

Temos que encarar esses tempos sombrios como a chance de um recomeço, a chance de uma refundação de nossa república. Uma república em que prevaleça a boa política, o embate de ideias, a composição de legítimos interesses sociais, a busca do bem comum e não o compadrio, a apropriação da coisa pública, o tráfico de influência, a corrupção. Basta.

É chegada a hora de refundar o Brasil. É chegado o momento de uma nova geração, com novos valores, novos objetivos. É chegada a hora de pessoas que não vejam a política como profissão, como o poder a qualquer preço, como modo de enriquecer ou produzir negócios escusos, mas a entendam como genuína vocação para trabalhar em favor da democracia, em seu sentido mais amplo.

Partiu reconstrução?


Marcelo Calero é diplomata.


Os textos refletem a opinião do autor e não, necessariamente, do Partido Novo.

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